
O
QUE É GLAUCOMA?
O glaucoma é causado por diferentes enfermidades que, na maioria dos
casos, levam a um aumento da PIO. O aumento da pressão é causado
por um bloqueio ao fluído no interior do olho. Com o tempo isto causa
dano ao nervo óptico. Através da detecção precoce,
diagnóstico e tratamento, você e seu oftalmologista podem ajudar
a preservar sua visão.

As pessoas que apresentam tendência
a desenvolver o glaucoma de ângulo fechado, a câmara anterior
apresenta-se mais rasa do que o usual. Como mencionado anteriormente, a malha
trabecular esta situada no ângulo formado pelo encontro da córnea
com a íris. Na maioria das pessoas, este ângulo apresenta aproximadamente
45 graus. Quanto mais estreito o ângulo, mais próxima estará
a íris da malha trabecular.
Com o envelhecimento, a lente do olho (cristalino) torna-se maior. A habilidade
do humor aquoso de passar entre a íris e o cristalino em seu caminho
para a câmara anterior diminui, causando aumento da pressão de
fluído atrás da íris, estreitando ainda mais o ângulo.
Se a pressão se torna suficientemente alta, a íris é
empurrada contra a malha trabecular, bloqueando a drenagem do aquoso, assim
como se um ralo tivesse sido posto em uma pia e a torneira permanecesse aberta.
Quando este espaço encontra-se totalmente bloqueado, o resultado é
um ataque de glaucoma de ângulo fechado (glaucoma agudo).
GLAUCOMA AGUDO
Diferentemente do glaucoma primário de ângulo aberto, onde a
PIO se eleva de forma lenta, no glaucoma agudo, ela sofre elevação
abrupta. Esse rápido aumento pressórico pode ocorrer num prazo
de algumas horas e tornar-se extremamente doloroso. Dependendo do aumento
pressórico, a dor pode ser tão intensa que pode causar náuseas
e vômitos. Os olhos tornam-se vermelhos, a córnea fica edemaciada
e opaca, e o paciente pode referir halos luminosos e visão borrada.
Um ataque agudo de glaucoma é uma condição de emergência.
Se há demora em iniciar o tratamento, a visão pode estar permanentemente
destruída. Cicatrização da malha trabecular pode ocorrer
como resultado de glaucoma crônico, que é muito mais difícil
de ser controlado. Pode haver também o desenvolvimento de catarata.
Dano do nervo óptico pode ocorrer rapidamente e causar perda permanente
da visão.
Muitos destes ataques repetidos ocorrem em ambientes escuros como teatros
e cinemas. Se você está lembrado, ambientes escuros causam dilatação
da pupila, ou seja, aumento no seu tamanho. Quando isso acontece, há
máximo contato entre a lente e a íris, o que deixa o ângulo
estreito e pode desencadear um ataque.
Sabe-se também que a pupila também dilata em momentos de estresse
e ansiedade. Conseqüentemente, muitos ataques de glaucoma agudo ocorrem
durante períodos de estresse. Uma variedade de drogas também
pode levar a um ataque de glaucoma por causar dilatação da pupila.
Estas incluem: antidepressivos, medicações para gripe, anti-histamínicos
e algumas medicações para o tratamento de náuseas.
Ataques de glaucoma agudo nem sempre são drásticos. Algumas
vezes o paciente pode sofrer uma série de ataques menores. Visão
borrada com halos pode ser referida, mas sem vermelhidão ou dor ocular.
Estes ataques podem acabar quando o paciente é exposto a um ambiente
bem iluminado ou quando vai dormir - duas situações que naturalmente
causam a constrição da pupila, permitindo assim que a íris
se afaste da lente e permita o escoamento do aquoso.
Um ataque agudo de glaucoma pode ser tratado com uma combinação
de colírios que diminuem o tamanho da pupila e a produção
do líquido intra-ocular. Assim que a pressão tenha baixado para
níveis mais seguros o oftalmologista poderá realizar uma iridectomia
com LASER. Este procedimento é totalmente ambulatorial e consiste na
utilização de um feixe de LASER para construir uma pequena abertura
na íris para que o fluxo do liquido intra-ocular seja restaurado. É
utilizado um colírio anestésico que evita qualquer dor.
O procedimento é realizado em alguns minutos e pode ser realizado preventivamente
mesmo no olho que não foi envolvido já que é comum o
acometimento de ambos os olhos em épocas diferentes.
Exames de rotina utilizando uma técnica conhecida como gonioscopia
podem prever com alguma antecedência um ataque agudo de glaucoma de
ângulo fechado. Uma lente especial contendo alguns espelhos é
colocada à frente do olho do paciente, permitindo a visualização
do ângulo. Pacientes com ângulos estreitos podem ser advertidos
quanto aos sinais e sintomas de uma crise e desta forma procurar tratamento
imediatamente. Em alguns casos a iridectomia com LASER é aconselhável
como prevenção em casos de alto risco.
Nem todos os pacientes com glaucoma de ângulo fechado experimentam um
ataque agudo. Ao contrário, muitos desenvolvem o que chamamos de glaucoma
crônico de ângulo fechado. Nestes casos, a íris vai fechando
gradualmente drenagem do líquido intra-ocular sem sintomas associados.
Quando isso ocorre, aderências entre a íris e o sistema de drenagem
do olho se formam lentamente e a pressão sobe somente quando existe
aderências suficientes para comprometer o fluxo. Quando o paciente é
tratado com medicação, como pilocarpina, um ataque agudo pode
ser prevenido, mas a forma crônica da doença ainda continuará
o afetando.
QUEM ESTÁ SOB
RISCO
Toda a pessoa deveria ser informada sobre o glaucoma e seus efeitos. É
importante para cada um de nós, crianças e adultos, um avaliação
periódica da função visual, pois apenas a detecção
precoce e o tratamento correto podem prevenir a perda da visão e mesmo
a cegueira.
Existem algumas condições especiais que pode colocar determinadas
pessoas em maior risco de desenvolvimento do glaucoma, são elas:
• Pessoas acima de 45 anos: apesar de desenvolver-se em qualquer faixa
etária, as pessoas acima de 45 anos tem uma chance maior de desenvolvimento.
• Pessoas com história familiar de glaucoma: o glaucoma parece
ter predileção por acometer determinadas famílias. A
tendência pode ser herdada. De qualquer forma, não basta ter
uma pessoa na família com a doença para também desenvolvê-la.
• Pessoas com pressão intra-ocular anormalmente elevada: como
já vimos, a pressão ocular elevada é principal fator
de risco para o glaucoma.
• Pessoas com descendência africana ou asiática: estas
etnias têm uma predisposição especial a desenvolver glaucoma
primário de ângulo aberto do que as outras.
• Pessoas que possuem:
• Diabetes
• Miopia
• Uso prolongado de esteróides (corticóides)
• Alguma lesão ocular prévia
No glaucoma perde-se a visão periférica, a visão fica
tubular.
DIAGNOSTICANDO O GLAUCOMA
O seu médico oftalmologista tem as ferramentas diagnósticas
necessárias para determinar se você tem ou não glaucoma
ou risco para tal, mesmo antes de aparecerem os sintomas.
Vamos falar um pouco destas ferramentas.
O TONÔMETRO
O tonômetro é o aparelho que mede a pressão intra-ocular.
Se o médico usa um tonômetro de aplanação seu olho
será anestesiado com colírio antes da medição.
Você sentara junto ao aparelho conhecido como lâmpada de fenda
e um pequeno prisma plástico tocará levemente seu olho a fim
de realizar a medição. Um tonômetro de ar dispara um jato
pequeno de ar na direção do olho e mede assim a pressão
não necessitando anestesia, pois não há contato direto
com seu olho.
A CAMPIMETRIA
Este teste permite ao seu médico avaliar como e se o glaucoma afetou
seu campo de visão. O teste de campo visual é uma importante
ferramenta que permite avaliar a extensão do dano sobre as fibras nervosas
do nervo óptico. Existem diversos aparelhos que permitem este exame.
Na campimetria computadorizada você será solicitado a permanecer
com o rosto apoiado em um apoio e a olhar fixamente para uma luz piloto. Cada
vez que outras luzes aparecerem na sua frente você deverá acionar
um botão, informando o computador que você a viu. Dessa forma,
ao final do teste, seu médico receberá um gráfico ilustrativo
do seu campo visual. O perímetro de Goldmman também realiza
esta tarefa, porem sem a utilização de um computador.
Quando o ralo da pia entope, o aquoso não consegue deixar o olho tão rapidamente quanto é produzido, causando um fluxo retrógrado. No entanto, como o olho é um compartimento fechado, a pia não transborda; ao contrário, o fluxo retrógrado causa aumento da pressão intraocular. Chamamos isto de glaucoma de ângulo aberto. Para entender como o aumento da pressão afeta o olho pense em seu olho como se fosse um balão. Quando muito ar é soprado para dentro de um balão, a pressão aumenta, causando seu estouro.

GLAUCOMA PRIMÁRIO
DE ÂNGULO ABERTO (GPAA)
Aproximadamente um por cento dos americanos apresentam esta forma de glaucoma,
tornando-a a forma mais comum no país. Ocorre predominantemente em
indivíduos acima de 50 anos. O GPAA não é acompanhado
por sintomatologia. A pressão intraocular sobe lentamente, e a córnea
se adapta sem edemaciar. Se a córnea se torna edemaciada, o que usualmente
é um sinal de que alguma coisa está errada, sintomas podem estar
presentes. Mas como esta não é a regra, esta doença geralmente
não é detectada. Não há dor e o paciente muitas
vezes não percebe que está perdendo lentamente a visão
até os últimos estágios da doença. Entretanto,
quando a visão encontra-se prejudicada, o dano é irreversível.
No GPAA não há anormalidade visível na malha trabecular.
Acredita-se que há algo errado na habilidade das células da
malha trabecular em cumprir normalmente sua função, ou que haja
menos células presentes como resultado natural do processo de envelhecimento.
Outros acreditam que o responsável é um dano no sistema de drenagem
do olho. Essas teorias, assim como outras tantas, são correntemente
estudadas e testadas em vários centros de pesquisa do país.
O glaucoma, na verdade, diz respeito aos problemas resultantes da pressão
intraocular aumentada. A pressão intraocular media numa população
normal é aproximadamente 14-16 milímetros de mercúrio
(mmHg). Numa população normal, pressões intraoculares
acima de 20mmHg ainda podem ser consideradas dentro da normalidade. Já
uma pressão intraocular acima de 22mmHg é considerada suspeita
e possivelmente anormal. No entanto, nem todos os pacientes que apresentam
PIO elevada desenvolvem glaucoma. O porquê de algumas pessoas desenvolverem
dano glaucomatoso e outras não; é tópico de muitas pesquisas
na atualidade.
Como mencionado anteriormente, a pressão elevada pode destruir as células
do nervo óptico. Uma vez que um determinado número de células
nervosas é destruído, "pontos cegos" começam
a se formar no campo visual. Esses pontos cegos usualmente se desenvolvem
primeiro no campo visual periférico, e, em estágios mais tardios,
na visão central. Uma vez que ocorra perda visual, esta é irreversível,
pois as células do nervo óptico estão mortas, e nada
pode substitui-las até o presente momento. Trataremos das várias
formas que tem seu oftalmologista de detectar o glaucoma nos estágios
iniciais - antes que tenha ocorrido dano visual.
O glaucoma primário de ângulo aberto é uma doença
crônica. Acredita-se que seja hereditária, embora isto ainda
não esteja bem definido. No presente momento não se conhece
a cura para esta doença, mas ela pode progredir mais lentamente e de
forma mais arrastada se tratada. Visto que não apresenta sintomas,
muitos pacientes têm dificuldade em entender porque é necessário
um tratamento com medicamentos caros, e, ainda, por toda a vida.
Seguir corretamente a orientação médica e usar regularmente
a medicação é crucial na prevenção da perda
visual. Por isso é necessário discutir os efeitos colaterais
da medicação com seu oftalmologista. Vocês dois precisam
atuar como um time nesta batalha contra o glaucoma. A seguir discutiremos
as medicações comumente prescritas e seus efeitos colaterais.
GLAUCOMA
DE ÂNGULO FECHADO
O glaucoma de ângulo fechado afeta aproximadamente meio milhão
de pessoas nos Estados Unidos. Há uma tendência de que esta seja
uma doença herdada, mas muitas vezes vários membros de uma mesma
família vão ser acometidos. É uma doença mais
comum em indivíduos descendentes de asiáticos e também
em pessoas hipermétropes.

A
OFTALMOSCOPIA
O exame de fundo do olho como é conhecida popularmente a oftalmoscopia,
permite que o seu médico visualize diretamente através da pupila
o aspecto do nervo óptico. A sua coloração e aparência
podem indicar se há ou não dano relacionado ao glaucoma e qual
a extensão deste.

USO ORAL
Ocasionalmente os colírios não são suficientes para controlar
a PIO. Quando isto acontece, medicação via oral deve ser prescrita
em adição aos colírios. Essa medicação,
que apresenta mais efeitos adversos do que os colírios, também
age diminuindo a "torneira" do olho, diminuindo a produção
do líquido intra-ocular.
Esta medicação via oral usualmente é prescrita de duas
até quatro vezes ao dia. É importante levar esta informação
também aos seus outros médicos. Fazendo isso você estará
contribuindo para que eles não lhe prescrevam drogas que possam causar
interações medicamentosas perigosas.
A seguir citamos alguns inibidores da anidrase carbônica comumente prescritos
e seus efeitos adversos:
CIRURGIA
CIRURGIA A LASER
A cirurgia a LASER tornou-se um método popular como passo intermediário
entre as drogas e a cirurgia tradicional. O tipo mais comumente empregado
para o glaucoma de ângulo aberto é chamado trabeculoplastia.
Este procedimento dura de 10 a 20 minutos, não causa dor e pode ser
efetuado no consultório médico. O feixe de LASER é focalizado
acima do ponto de drenagem do olho. Ao contrário do que muitas pessoas
imaginam, o LASER não "fura" o olho. Ao invés disso,
seu calor intenso e localizado, faz com que algumas áreas do mecanismo
de drenagem abram-se, resultando em uma passagem mais fácil do fluido
intra-ocular para fora do olho.
Você pode ir para casa e retomar suas atividade normais logo após
a cirurgia. Seu médico deve verificar a pressão de seu olho
em uma ou duas horas após o procedimento. Após este procedimento,
quase 80% de todos os pacientes respondem suficientemente bem, adiando um
procedimento cirúrgico mais complexo. Pode levar algumas semanas para
observar-se a real diminuição da pressão ocular, motivo
pelo qual você deve continuar com a medicação até
que seu médico julgue necessário. Catarata não é
um efeito adverso do LASER e as complicações são insignificantes,
daí por que este método tornou-se extremamente popular.
CIRURGIA TRADICIONAL
A mais comum das cirurgias é chamada trabeculectomia. Nesse procedimento,
o cirurgião remove uma pequena parte da malha trabecular - ponto de
drenagem. Isto facilita a saída do humor aquoso, reduzindo a pressão.
Este procedimento geralmente é feito sob anestesia local, tanto a nível
ambulatorial como hospitalar. É importante notar que seus olhos não
terão a mesma visão durante algumas semanas após o procedimento.
Apesar de a trabeculectomia ser um procedimento cirúrgico relativamente seguro, aproximadamente um terço dos pacientes desenvolvem catarata num prazo de cinco anos. Após a cirurgia muitos pacientes podem descontinuar o uso de medicamentos antiglaucomatosos. Talvez 10 a 15% dos pacientes necessitem alguma cirurgia adicional.
CONCLUSÃO
O exame oftalmológico de rotina é vital para a saúde
de seus olhos. No caso de seu médico oftalmologista detectar glaucoma,
o tratamento precoce pode ajudar a prevenir a perda visual.
