

Distribuição
conforme a faixa etária:
• 08 a 16 anos: 2,1 %
• 17 a 27 anos: 25,9 %
• 27 a 36 anos: 35,6 %
• 37 a 46 anos: 20,1 %
• 47 a 56 anos: 11,7 %
• 57 a 66 anos: 3,0 %
• 67 a 76 anos: 1,5 %
Distribuição conforme o
sexo:
• Feminino: 38 %
• Masculino: 62 %
Classificação quanto ao
tipo do cone:
• Oval: 60 %
• Pequeno monte: 40 %
• Globoso: menos de 1 %
Incidência na população
geral: varia de 0,05 % a 0,5 %
Fonte: Nova Contact Lenses
O
QUE É CERATOCONE?
Ceratocone é uma ectasia corneana não inflamatória e
auto-limitada, caracterizada por um afinamento progressivo da porção
central da córnea. À medida que a córnea vai se tornando
afinada o paciente percebe uma baixa da acuidade visual, a qual pode ser moderada
ou severa, dependendo da quantidade do tecido corneano afetado.

COMO
SE FAZ O DIAGNÓSTICO DE CERATOCONE?
A identificação de um ceratocone moderado ou avançado
é razoavelmente fácil. Entretanto, o diagnóstico de ceratocone
em suas fases iniciais torna-se mais difícil, requerendo uma cuidadosa
história clínica, medidas da acuidade visual e refração,
e ainda exames complementares realizados por instrumentação
especializada. Geralmente, pacientes com ceratocone têm modificações
frequentes nas prescrições dos seus óculos em curto período
de tempo e, além disso, os óculos já não fornecem
uma correção visual satisfatória. As refrações
são frequentemente variáveis e inconsistentes. Pacientes com
ceratocone frequentemente relatam diplopia (visão dupla) ou poliopia
(visão de vários objetos) naquele olho afetado, e queixam-se
de visão borrada e distorcida tanto para visão de longe quanto
para perto. Alguns referem halos em torno das luzes e fotofobia (sensibilidade
anormal à luz).
Muitos sinais objetivos estão presentes no ceratocone. A retinoscopia
mostra reflexo "em tesoura". Com o uso do oftalmoscópio direto
percebe-se um sombreamento. O ceratômetro também auxilia no diagnóstico.
Os achados ceratométricos iniciais são ausência de paralelismo
e inclinação das miras. Estes achados podem ser facilmente confundidos
nos casos de ceratocone incipiente.
A redução da acuidade visual em um olho, devido à doença
assimétrica no outro olho, pode ser um indício precoce de ceratocone.
Este sinal é freqüentemente associado com astigmatismo oblíquo.
A topografia corneana computadorizada ou fotoceratoscopia pode fornecer um
exame mais acurado da córnea e mostrar irregularidades de qualquer
área da córnea. O ceratocone pode resultar em um mapa corneano
extremamente complexo e irregular, tipicamente mostrando áreas de irregularidades
inferiormente em forma de cone, o qual pode assumir diferentes formas e tamanhos.
O diagnóstico de ceratocone também pode ser feito através
do biomicroscópio ou lâmpada de fenda.
Através deste instrumento o médico poderá observar muitos
dos sinais clássicos do ceratocone:
• Anéis de Fleischer: anel de coloração amarelo-amarronzada
a verde-oliva, composto de hemossiderina depositada profundamente no epitélio
circundando a base do cone.
• Linhas de Vogt: são pequenas estrias semelhantes a cerdas de
pincel, geralmente verticais embora possam ser oblíquas, localizadas
na profundidade do estroma corneano.
• Afinamento corneano: um dos critérios propostos para o diagnóstico
de ceratocone é o afinamento corneano significante maior que 1/5 da
espessura da córnea. À medida que a doença progride o
cone é deslocado inferiormente. O ápice do cone é geralmente
a área mais afinada.
• Cicatrizes corneanas: geralmente não são vistas precocemente,
porém com a progressão da doença ocorre ruptura da membrana
de Bowman, a qual separa o epitélio do estroma corneano. Opacidades
profundas da córnea não são incomuns no ceratocone.
• Manchas em redemoinho: podem ocorrer naqueles pacientes que nunca
tenham usado lentes de contato.
• Hidropsia: ocorre geralmente nos
casos avançados, quando há ruptura da membrana de Descemet e
o humor aquoso flui para dentro da córnea tornando-a edemaciada. Quando
isso ocorre o paciente relata perda visual aguda e nota-se um ponto esbranquiçado
na córnea. Hidropsia causa edema e opacificação. Caso
a membrana de Descemet se regenere, o edema e
a opacificação diminuem. Pacientes com síndrome de Down
têm maior incidência de hidropsia. Os atos de coçar e friccionar
os olhos devem ser evitados nestes pacientes.

• Sinal de Munson: este sinal ocorre
no ceratocone avançado quando a córnea protui o suficiente para
angular a pálpebra inferior quando o paciente olha para baixo.
• Reflexo luminoso de Ruzutti: um reflexo luminoso projetado do lado
temporal será deslocado além do sulco limbar nasal quando um
alto astigmatismo e córnea cônica estão presentes.

• Pressão Intra-ocular reduzida: uma baixa pressão intra-ocular geralmente é encontrada como resultado do afinamento corneano e/ou redução da rigidez escleral.
COMO SE CLASSIFICA O CERATOCONE?
O ceratocone pode ser classificado conforme sua curvatura ou de acordo com
a forma do cone:
• Baseado na severidade da curvatura:
• Discreto: < 45 dioptrias em ambos os meridianos.
• Moderado: entre 45 a 52 dioptrias em ambos os meridianos.
• Avançado: > 52 dioptrias em ambos os meridianos.
• Severo: > 62 dioptrias em ambos os meridianos.
• Baseado na forma do cone:
• Pequeno monte: forma arredondada, com diâmetro pequeno em torno
de 5 mm.
• Oval: geralmente deslocado inferiormente, com diâmetro >
5 mm. É o tipo mais comumente encontrado no exame de topografia corneana.
• Globoso: quando 75 % da córnea está afetada, possui
diâmetro maior que 6 mm. É também chamado ceratoglobo,
e é o tipo mais difícil para se adaptar lentes de contato.
QUAIS SÃO AS OPÇÕES
DE TRATAMENTO DISPONÍVEIS PARA O CERATOCONE?
O tratamento do ceratocone depende da severidade da condição.
1. CORREÇÃO ÓPTICA: Inicialmente, os óculos corrigem
satisfatoriamente a miopia e astigmatismo. Entretanto, à medida que
a doença progride a visão não é mais adequadamente
corrigida e requer o uso de lentes de contato rígidas para promover
o aplanamento corneano e fornecer uma visão satisfatória. Tardiamente,
quando as lentes de contato não fornecem boa visão ou há
intolerância ao uso das lentes de contato, está indicado o transplante
de córnea.
2. TRATAMENTOS CIRÚRGICOS:
Vários tipos de tratamentos cirúrgicos têm sido propostos
para casos de ceratocone:
• Ceratoplastia penetrante: o transplante de córnea é
o tratamento mais comumente realizado. Neste procedimento, a córnea
com ceratocone é removida e então a córnea do doador
é recolocada e suturada no receptor. Lentes de contato são geralmente
necessárias para fornecer uma melhor acuidade visual.
• Ceratoplastia lamelar: a córnea é removida na profundidade
do estroma posterior, e um botão de córnea doada é suturado
no local. Tal técnica é mais difícil de ser executada
e a acuidade visual é inferior àquela obtida com a ceratoplastia
penetrante. As desvantagens da técnica incluem vascularização
e embaçamento do enxerto.
• Excimer laser: recentemente este laser tem sido usado em situações
específicas com algum sucesso na remoção de placas de
córnea central. Contudo o LASIK é ainda um procedimento experimental
e não está claro se é apropriado para o tratamento do
ceratocone.
• Intacs ou Anel: este novo procedimento, recentemente aprovado pelo
FDA (Food and Drugs Administration), envolve um implante de um disco plástico
entre as camadas da córnea com a finalidade de aplaná-la e trazê-la
à sua forma natural. Todavia os Intacs têm sido utilizados somente
nos casos de discreta baixa acuidade visual para perto. Diferentemente dos
transplantes, os Intacs corrigem imediatamente a baixa visual do paciente
com ceratocone. Outros benefícios incluem o rápido retorno às
atividades cotidianas em poucos dias e uma visão mais natural em relação
àquela fornecida pelo transplante de córnea. Os Intacs são
desenhados para permanecerem no olho, embora possam ser retirados, caso seja
necessário. O candidato ideal ao procedimento com Intac é aquele
incapaz de usar óculos ou lentes de contato, e com poucas alterações
corneanas.